Pais com religiões diferentes

X trouxe uma demanda interessante: ele é espírita e sua esposa Y é evangélica. Até aí nenhum problema, já que são adultos. A questão é que ambos têm uma filha. A garota segue principalmente a religião da mãe. As demanda de X são as seguintes:  deveria  levar sua filha para conhecer sua opção religiosa? O que fazer se na igreja evangélica, que a filha vai com a genitora, o pastor estiver “demonizando” (associando ao demônio, ao mal) outras religiões, especialmente o espiritismo?

Quanto à primeira pergunta, não vejo nenhum problema. A criança poderá optar por uma das duas (ou por nenhuma) quando crescer. E se ela tiver qualquer dúvida sobre as diferentes doutrinas, os pais podem esclarecer tudo, sempre de uma forma respeitosa para com a religião do outro. Em relação à segunda questão, a coisa é mais delicada pois envolve uma terceira pessoa, também revestida de autoridade, no caso, o pastor. Então, é bom que a mãe opte  por uma igreja em que tais discursos preconceituosos não são feitos. E caso não seja possível,  é importante que a mãe  desconstrua o discurso do pastor. Afinal, não é bom para a formação da sua filha e para o seu psiquismo  que ela ache que seu pai segue uma religião maléfica ou falsa.

Mente e Corpo

A saúde mental é tão importante quanto a física, mas é mais negligenciada que essa. Com isso não quero dizer que se deva fazer terapia do mesmo jeito que se faz uma atividade física (no caso daqueles que praticam alguma atividade), mas é importante pensar em cuidar mais da mente. Há muitas formas, além da psicoterapia: meditação, ler bons livros, ouvir música com a qual se identifica, evitar (se possível) o convívio com pessoas tóxicas etc.

É bom refletir sobre a natureza da relação mente-corpo. Segundo o mestre zen R. Suzuki, “nosso corpo e mente não são dois, nem um. Se você pensa que seu corpo e mente são dois, está errado. Se pensa que são um, também está errado. Nosso corpo e mente são dois e um ao mesmo tempo. Habitualmente, pensamos que se algo não é um, é mais do que um; que se algo não é singular, é plural. Mas, na prática, nossa vida não é só plural, é também singular. Cada um de nós é duas coisas ao mesmo tempo: dependente e independente.”

Desertos da vida

“Não se acostume com o deserto… Ele não foi feito para habitação, serve apenas de passagem!” Leandro Costa

Depende. Há povos que vivem no deserto. Outros descobrem e habitam os oásis. E há os que o irrigam. Mesmo no deserto, há vida. Então, mesmo sendo melhor uma planície verdejante, enquanto você não a encontra, veja o que você pode fazer no deserto… no seu deserto!

Relacionamento

Não há receita de bolo para manter um casamento ou uma relação. Cada pessoa é singular e um casal é união de duas singularidades. Creio, entretanto, que há quatro coisas que, se observadas, podem ajudar na manutenção da relação:

1) Evitar construir um relacionamento fantasioso e com altas expectativas. É aquele onde um se apaixona pelo outro idealizado e tem uma grande decepção (devido a alta expectativa criada em cima do outro e da relação).

2) Monitorar o nível erótico e o de afeto do casal (tesão e afetividade) para, se for o caso, tentar corregir as coisas que possam estar afetando a relação. Isso se consegue com muita conversa.

3) Observar o grau de liberdade para a expressão da individualidade: sem um grau elevado nesse quesito, a relação pode sufocar.

4) Abertura e hábito para conversar sobre a relação à medida em que ela vai sendo construída (não esperar a protocolar DR).

A oposição ao casamento igualitário

A oposição ao casamento igualitário é um sintoma de uma profunda repressão sexual e também da neurotização dos traços homossexuais que todos nós temos. Ou seja, indivíduos com mentes reprimidas e corpos domesticados não conseguem lidar com pessoas mentalmente livres e com corpos sem amarras, não conseguem respeitar a diversidade sexual e a singularidade de cada pessoa. Então, tudo o que se refere à liberdade sexual e à livre expressão da homossexualidade produz angústia nos reprimidos. Isso produz indivíduos angustiados que se mostram refratários à educação sexual nas escolas e à vigência dos direitos civis plenos para os homossexuais, daí, por exemplo, sua oposição ao casamento igualitário.  

Já o discurso contra o casamento, que apresenta a incongruência descrita na imagem (a outra é associar casamento civil à sacramento, quando até ateus casam perante o Estado), é uma forma dos fóbicos minimizarem os efeitos afetivos gerados pela dissonância cognitiva que a liberdade sexual produz em suas mentes.

Felicidade

Eu li na Internet: “É preciso permitir que as coisas lindas aconteçam, porque a felicidade bate na porta, mas não gira a maçaneta. Quem decide se quer que ela entre ou não, é você.”

Acredito que a felicidade, se é que ela existe da forma como as pessoas a concebem e a desejam, é fruto de muitas variáveis. Não surge simplesmente pela vontade do sujeito. Contudo, buscar a felicidade é mover-se pelo princípio do prazer. E o contrário é ser levado pela pulsão de morte. Então, tente ser feliz. Só não crie expectativas exageradas e lembre-se que a vida é dual!

O que é Psicanálise?

A Psicanálise não é ciência nem pseudociência. Não é ciência, no sentido cartesiano, pois não tem como reproduzir a subjetividade em laboratório. Não é uma pseudociência, pois não é curandeirismo.

A Psicanálise é  um saber. E como saber, ela tem sua epistemologia, suas observações clínicas e sua práxis (terapia analítica ou análise).

Singularidade

Não seja mais um/a na multidão. Não faça parte de um manada. Mantenha sua singularidade e busque sempre sua autotransformação. Lembre-se das palavras de Jiddhu Krishnamurti, filósofo indiano: “Não é sinal de saúde estar bem ajustado a uma sociedade profundamente doente.”

Então, não procure sua adaptação, mas sim sua realização pessoal. Como? Cuidando de si (terapia, meditação), tendo foco em coisas mensuráveis e factíveis, e refletindo sobre a natureza dual da vida (o que exige uma atitude equilibrada: nem derrotista nem sonhadora).

Terapia Analítica

O ser humano é seus desejos, mas também é movido por um sentido de vida. Por isso, na Terapia Analítica que pratico levo em consideração tanto a Psicanálise de Freud, conforme os ensinamentos de Sándor Ferenczi, quanto a Análise Existencial/Logoterapia de Viktor Frankl. E esse é meu objetivo: ajudar o cliente a resolver suas questões, contribuindo para que ele tenha uma vida mais alegre e significativa.